tera, 14 de julho de 2020
 
O São João dos Zathechko
Terços e rezas dão toque de religiosidade a festa, mantida há mais de 20 na região de Luizana

Há 25 anos a família Zathechko vem mantendo uma festa junina que tornou se tradição na região de Luiziana. No pequeno sítio São João, na comunidade Aterrado Alto - distante de 35 quilômetros de Luiziana-, todos os anos na véspera de São João Batista, o quintal dos irmãos Dionísio e David Zathechko se transforma em um ambiente de confraternização. A última, realizada nessa quarta-feira, reuniu cerca de 500 pessoas.
Junto às comemorações, terços e rezas a Ave Maria e Nossa Senhora Aparecida dão um toque de religiosidade ao evento. No meio do quintal, uma enorme fogueira de 9,5 metros de altura para aquecer as pessoas que a rodeavam. Por sinal as labaredas de fogo formadas pela lenha de Santa Bárbara de tão altas, eram vistas a quilômetros de distância no meio da típica escuridão da zona rural.
?Há mais de sete anos participo desta festa. Para nós católicos tem um significado muito grande. É uma tradição que deve ser mantida?, comenta a zeladora Maria Aparecida dos Santos, 47, que pela sétima vez seguida participou da confraternização.
Dionísio explica que a festa começou por acaso, ainda na década de 80. Acompanhados de sua mãe, hoje falecida, ele e seu irmão iam antigamente às fogueiras feitas por sitiantes vizinhos até que resolveram fazer também no quintal de sua casa.
?No começo a fogueira era um amontoado de gravetos e sabugos secos de milho?, lembra. Mas com o tempo, como era cada vez maior a quantidade de pessoas que compareciam à fogueira dos Zathechko, o evento ganhou grandes proporções e tornou se no que é hoje. A cada festa são preparados dois fardos de pipoca, um bolo de cerca de setenta quilos, que leva em si a imagem de São João Batista e aproximadamente 250 litros de quentão. O mais curioso é que tudo isso é distribuído de graça aos convidados. ?Até nos oferecem ajuda com os ingredientes, mas nem isso aceito. A única ajuda que recebemos é na preparação dos alimentos?, diz Dionísio. ?Sempre digo que quando precisar a gente com certeza vai pedir, mas enquanto estiver com fartura não.?

Montagem da fogueira
Na montagem da fogueira, David explica que recebe a ajuda de vizinhos. Para montá-la levam praticamente um dia de trabalho. A lenha utilizada é encontrada em matas próximas de seu sítio. Tradicionalmente, desde o surgimento da festa, a fogueira é acessa sempre às 19 horas e dura até por volta das duas da manhã.

O dia em que Maria morreu

No dia 22 de junho de 1996, os irmãos Dionísio e David receberam uma das piores notícias de suas vidas: a morte da mãe, dona Maria Zathechko. Antes de morrer, ela pediu a eles que não deixassem de continuar com a tradição das fogueiras.
Mas além deste pedido ela fez outro. Dionísio e seu irmão chegaram a pensar que não conseguiriam atendê-lo. Maria exigiu aos filhos, momentos antes da sua morte, que após seu sepultamento a fogueira fosse acesa e uma festa fosse feita. Esta seria a garantia de que a tradição continuasse.
?Por um momento fiquei sem saber o que fazer. Minha mãe tinha acabado de ser enterrada e a noite já faríamos festa??, admite Dionísio, que mesmo abalado atendeu sua mãe. ?Só acendemos a fogueira e fizemos um terço.?
Segundo Dionísio, a cada ano, assim que a fogueira é acesa, as lembranças de dona Maria são mais fortes. Para ele, esta é uma forma de estar relembrando os momentos que passou junto dela. ?Vamos manter esta tradição enquanto vivermos. É uma forma de sentir a nossa mãe mais próxima da gente.?

Fonte: Walter Pereira
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